A PrEP existe há mais de dez anos e ainda carrega uma coleção de mitos — alguns por desinformação, outros por moralismo disfarçado de cuidado. Vou pegar os dez mais comuns e colocar cada um na mesa.
1. “PrEP é coisa de promíscuo”
PrEP é para quem tem risco de HIV, o que inclui gente de relacionamento fechado com parceiro que não está indetectável, gente que transa uma vez por mês e gente que transa todo dia. O risco não é sobre quantidade — é sobre exposição. E se a palavra “promíscuo” está no seu vocabulário médico, o problema não é a PrEP.
Estigma, prevenção e o que a ciência diz: PrEP é Coisa de Promíscuo?
2. “Quem usa PrEP abandona a camisinha e pega mais IST”
Os estudos mostram que as ISTs já vinham aumentando antes da PrEP, e que quem entra em PrEP passa a testar a cada 3 meses — ou seja, descobre e trata ISTs que antes ficavam sem diagnóstico. PrEP não causa IST; ela expõe a epidemia que já existia. E abre a porta para doxiPEP e vacinas.
3. “PrEP é só para homens gays”
É para qualquer pessoa HIV-negativa com risco: mulheres cis, homens hétero, pessoas trans, casais sorodiferentes, profissionais do sexo, quem usa drogas injetáveis.
4. “PrEP destrói o rim”
Pequena queda na filtração em alguns usuários, quase sempre leve e reversível. Insuficiência renal por PrEP é raríssima. O exame de creatinina existe para detectar cedo.
5. “PrEP dá resistência ao HIV”
Só se a pessoa já tiver HIV ao começar (por isso o teste é obrigatório) ou se pegar HIV usando PrEP de forma irregular. Com uso correto e testagem trimestral, o risco é mínimo.
6. “Se eu tomar PrEP, o teste de HIV vai dar positivo”
Não. PrEP não interfere no teste. O que pode acontecer é o teste demorar um pouco mais para positivar numa infecção que já existia — por isso o acompanhamento usa testes sensíveis.
7. “PrEP é para tomar só quando vou transar”
Existe a PrEP sob demanda (2-1-1), mas ela tem regras: só para sexo anal, com dose dupla 2 a 24 horas antes e mais duas depois. Tomar “um comprimido antes de sair” não protege.
8. “PrEP faz mal ao fígado, engorda, tira a libido”
Sem evidência para nenhum dos três com a PrEP oral.
9. “PrEP é cara”
No SUS é gratuita. O remédio genérico custa pouco em farmácia. O que custa no particular é a consulta — e é escolha.
10. “Quem toma PrEP não precisa mais testar”
Precisa, a cada 3 meses: HIV (para segurança da própria PrEP) e ISTs (porque a PrEP não as cobre).
Como é comigo
Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Boa parte da minha consulta de PrEP é desfazer o que a pessoa ouviu — do amigo, do outro médico, do comentário na internet. Você sai com a informação certa e com o esquema que cabe na sua vida.
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Perguntas frequentes
Médico pode se recusar a prescrever PrEP? Pode não se sentir apto e encaminhar. Não pode negar por julgamento moral.
PrEP causa dependência? Não. É um remédio de prevenção, sem qualquer efeito de dependência.
PrEP aumenta a promiscuidade? Os estudos mostram que o comportamento sexual de quem entra em PrEP não muda de forma relevante; o que muda é a testagem, que aumenta.
A PrEP é experimental? Não. Aprovada desde 2012, com milhões de usuários no mundo e no SUS desde 2017.
Tomar PrEP significa que não confio no meu parceiro? Significa que você cuida de si. Muitos casais usam PrEP como parte de uma relação aberta e honesta.
Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Página do tema: PrEP. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.


