Durante os últimos anos, percebi uma grande mudança na percepção sobre prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. A chegada da Profilaxia Pré-Exposição revolucionou as estratégias de combate ao HIV, trazendo esperança e segurança a milhares de pessoas no Brasil e no mundo. Ainda lembro da primeira vez que li sobre o impacto da PrEP nos índices de infecção: os números caíram e o medo passou a dar lugar ao conhecimento e ao autocuidado.
O que é a PrEP e como ela funciona?
A Profilaxia Pré-Exposição, conhecida pela sigla PrEP, é um método medicamentoso que uso para prevenir a infecção pelo HIV antes de qualquer exposição ao vírus. O princípio é simples: em vez de reagir após uma situação de risco, a prevenção acontece de forma constante, oferecendo uma barreira poderosa contra o HIV.
A PrEP tornou-se um divisor de águas na prevenção do HIV.
A medicação, composta por dois antirretrovirais combinados (tenofovir e entricitabina, geralmente na modalidade oral), deve ser tomada por pessoas que têm risco substancial de exposição ao HIV. Isso inclui quem mantém relações sexuais sem preservativo, faz parte de populações-chave para o HIV, ou tem parceiros com diagnóstico positivo para o vírus.
Segundo o Ministério da Saúde, em novembro de 2024 o Brasil atingiu 104 mil usuários de PrEP, dobrando o acesso em dois anos. Esses números reforçam o crescimento da confiança nessa estratégia.
Modalidades de uso: contínuo e sob demanda
Hoje, ao orientar pacientes, sempre destaco que existem modalidades diferentes para tomar a PrEP, adaptando o uso ao estilo de vida e à frequência de risco.
Uso diário/contínuo
No uso contínuo, a pessoa toma um comprimido ao dia, sem falhas. Após sete dias de uso regular, já se atinge proteção máxima para sexo anal. Para sexo vaginal, esse tempo pode chegar a 21 dias. Essa modalidade é recomendada para quem vive em situação de risco frequente.
PrEP sob demanda
A modalidade sob demanda é um pouco mais flexível. Recomendo essa abordagem para quem tem exposições esporádicas ao HIV. O protocolo consiste em tomar dois comprimidos antes da relação sexual (entre 2 e 24 horas) e, depois, um comprimido nas duas noites seguintes. Quando falo sobre esse método, muitas pessoas se surpreendem com a praticidade, mas reforço: a indicação deve ser individualizada. É possível aprender mais sobre PrEP sob demanda em conteúdos educativos específicos.
Quem deve considerar o uso da PrEP?
Eu costumo detalhar que a indicação da PrEP é feita com base em critérios de risco. São exemplos de pessoas que podem se beneficiar:
- Homens que fazem sexo com homens;
- Parceiros(as) sorodiscordantes;
- Pessoas trans;
- Profissionais do sexo;
- Pessoas com múltiplos parceiros e uso esporádico de preservativos;
- Indivíduos que usam drogas injetáveis e compartilham agulhas.
Cada caso é avaliado de forma individual. Avalio não só o comportamento, mas também contextos de vulnerabilidade social ou dificuldade para negociar o uso do preservativo. O conteúdo disponível sobre quem pode usar a PrEP oferece um panorama detalhado desses critérios.
Trilhas obrigatórias: testagem regular e acompanhamento médico
Um aspecto que nunca deixo de enfatizar é a necessidade de testagem regular e do acompanhamento profissional. Antes de iniciar a PrEP, faço questão de solicitar exames:
- Testes para HIV (para confirmar que não há infecção prévia);
- Avaliação de função renal;
- Painel de infecções sexualmente transmissíveis;
- Testes para hepatites B e C.
Durante o uso, indico retornos trimestrais para refazer testagem do HIV e avaliar sinais de eventuais efeitos adversos. O acompanhamento é fundamental.
Uso seguro exige acompanhamento contínuo.
Como iniciar e qual o tempo necessário para proteção?
Após avaliar exames e conversar sobre riscos e benefícios, oriento a pessoa a iniciar o esquema medicamentoso. Para sexo anal, a proteção é atingida após 7 dias de uso diário. Sexo vaginal requer cerca de 21 dias.
Já para quem opta pelo uso sob demanda, a proteção ocorre já a partir da segunda dose do esquema, desde que as orientações sejam seguidas corretamente.
Faço questão de reforçar que nenhum método é 100% eficaz, e a combinação das estratégias sempre fornece resultados melhores.
Uso combinado: por que ainda recomendo o preservativo?
Mesmo com a eficácia comprovada da PrEP, explico sempre aos pacientes que o uso do preservativo continua relevante. A profilaxia pré-exposição previne apenas o HIV, e não outras infecções sexualmente transmissíveis (como sífilis, hepatites, gonorreia, clamídia).
O preservativo segue como uma barreira indispensável para proteção contra outras ISTs.
Minha experiência mostra que quem adere à PrEP muitas vezes se sente mais seguro e tende a deixar de lado outros cuidados. Por isso, reforço sempre práticas seguras. A prevenção combinada é o melhor caminho.
Diferença entre PrEP e PEP: não confunda
Em algumas situações, percebo confusão entre a PrEP e a profilaxia pós-exposição (PEP). O diferencial principal é o momento em que cada uma deve ser usada:
- PrEP (Pré-Exposição): tomada antes de qualquer contato de risco, para evitar infecção futura.
- PEP (Pós-Exposição): utilizada após uma situação em que houve exposição ao HIV (ouso de camisinha, acidente ocupacional, relações sexuais desprotegidas), iniciando o quanto antes, preferencialmente até 72 horas após o evento.
Para esclarecer dúvidas e aprofundar, há informações sobre diferença entre PrEP e PEP em diferentes fontes educativas.
Efeitos colaterais: o que posso esperar?
Ao longo dos anos, já acompanhei diversos pacientes relatando dúvidas e, às vezes, medo sobre possíveis efeitos colaterais dos antirretrovirais utilizados para PrEP. Na prática, grande parte das pessoas tolera o esquema muito bem. Os desconfortos mais comuns envolvem:
- Náuseas leves;
- Dores de cabeça;
- Desconforto abdominal;
- Alterações discretas na função renal (avaliadas por exames regulares);
- Fluxo gastrointestinal alterado nos primeiros dias.
Quase sempre esses efeitos diminuem após as primeiras semanas de uso.
Orientação médica e acompanhamento laboratorial garantem mais segurança para o tratamento. Quando necessário, ajustes são feitos e outras opções consideradas.
Modalidades inovadoras: PrEP injetável
Recentemente, novas formas de profilaxia pré-exposição têm chamado minha atenção, principalmente a versão injetável. O cabotegravir de ação prolongada permite doses a cada dois meses. Isso representa um avanço para quem tem dificuldades em manter o uso oral diário, pois reduz falhas de adesão.
Apesar de ainda não estar disponível em todo território nacional, essa inovação promete beneficiar mesmo quem tem dificuldade com esquemas diários. E reforça o compromisso de ampliar o leque de escolhas para diferentes perfis.
PrEP pelo SUS e políticas públicas de acesso
No Brasil, acesso e distribuição gratuita da PrEP fazem parte de estratégias para eliminar a transmissão do HIV como desafio de saúde pública até 2030. Segundo o último relatório do Ministério da Saúde, já são mais de 70 mil novos usuários em 2025, beneficiando cerca de 140 mil brasileiros (fonte).
Unidades de saúde do SUS oferecem:
- Consulta de triagem;
- Testagem rápida;
- Acompanhamento regular;
- Entrega dos medicamentos de acordo com protocolos.
O Painel PrEP mostra que, até dezembro de 2022, mais de 184 mil dispensações já haviam sido realizadas em 641 unidades, ampliando a cobertura pelo país.
Adesão: como manter a rotina do tratamento?
Na minha rotina clínica, identifiquei que pequenos truques ajudam na adesão à PrEP:
- Associar o horário de tomar o comprimido a outro hábito diário (como escovar os dentes ou almoçar);
- Usar aplicativos de lembrete;
- Deixar a medicação sempre à vista;
- Informar amigos e parceiros para apoio mútuo;
- Marcar retornos no calendário antecipadamente.
O segredo é incluir a profilaxia na rotina, de forma natural, sem culpa e sem pressão.
Percebo que o entendimento do propósito da PrEP motiva a continuidade do uso, sobretudo após conversar sobre mitos, dúvidas e conquistas terapêuticas.
Novidades do cenário brasileiro
O Brasil vem se destacando na ampliação dos métodos de prevenção contra o HIV. Em 2023, foram registrados os menores índices de mortalidade por aids desde 2013 (dados oficiais), resultado da oferta crescente de diagnóstico e estratégias como a PrEP.
Entre 2018 e 2020, o Relatório de Monitoramento de Profilaxias do HIV apontou ampliação da oferta no país e aumento considerável da adesão. Já em 2024, atingimos a marca de mais de 109 mil pessoas protegidas (fonte), reflexo do investimento público nesse segmento.
Onde buscar informações e acompanhamento
Entendo que dúvidas ainda possam existir, mas encontro muitos conteúdos confiáveis sobre profilaxia, especialmente nos materiais de educação sobre PrEP. Essa categoria reúne artigos explicativos, respostas a perguntas frequentes, dados e novidades no cenário brasileiro.
Acompanhamento profissional: mais do que medicação
Ao longo desses anos, percebi que adotar a PrEP vai além de tomar um comprimido diário. Envolve reflexão, mudança de hábitos e, principalmente, acompanhamento. Nenhuma estratégia de prevenção funciona isolada. Orientação, escuta e atualização constante são tão importantes quanto o próprio medicamento.
Prevenir é também cuidar da própria saúde emocional e sexual.
A cada consulta, noto que o diálogo saudável faz toda a diferença.
Resumo e conclusão
A PrEP trouxe flexibilidade, personalização e eficácia à prevenção do HIV. Com modalidades adaptáveis (contínua e sob demanda), estratégias combinadas e inovação em formulações (oral e injetável), seu impacto é nítido nos números de infecções e mortes relacionadas ao HIV no Brasil.
A prevenção medicamentosa é um direito, mas o autocuidado e a informação são escolhas diárias.
Por isso, creio que o diálogo aberto entre paciente e médico, junto com atualização constante, são as marcas de um novo tempo na luta contra o HIV.
Perguntas frequentes sobre PrEP
O que é a PrEP para HIV?
A PrEP é a sigla para Profilaxia Pré-Exposição, uma estratégia preventiva que consiste no uso regular de medicamentos antirretrovirais por pessoas HIV-negativas para evitar a infecção pelo HIV em situações de risco.
Como funciona a PrEP na prevenção?
A PrEP age criando uma barreira química no organismo, impedindo que o vírus HIV se estabeleça e se multiplique caso ocorra uma exposição.O uso correto e regular é fundamental para garantir essa proteção. Ao manter os níveis dos medicamentos no sangue, o risco de se infectar com HIV reduz drasticamente.
Onde posso conseguir PrEP gratuitamente?
A PrEP está disponível gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em unidades de saúde espalhadas por todo o Brasil. Basta buscar um serviço especializado em IST/HIV, passar por triagem e, se preencher os critérios, começar o acompanhamento com entrega dos medicamentos.
Quais são os efeitos colaterais da PrEP?
Os efeitos colaterais mais reportados são náuseas leves, dor de cabeça, desconforto abdominal e, em raros casos, alterações discretas nos rins. Eles costumam ser passageiros e melhoram com o tempo. O acompanhamento médico garante monitoramento seguro durante o uso da PrEP.
A PrEP substitui o uso de camisinha?
Não. Embora ofereça alta proteção contra o HIV, a PrEP não previne outras infecções sexualmente transmissíveis como sífilis, gonorreia e clamídia. O uso do preservativo continua recomendado como parte de uma estratégia combinada de prevenção.




