“PrEP é para mim?” A resposta oficial tem uma lista. A resposta honesta é mais simples: se você está se fazendo essa pergunta, provavelmente sim. Vou mostrar as duas.
As indicações formais
O Ministério da Saúde e as diretrizes internacionais indicam PrEP para pessoas HIV-negativas, sexualmente ativas, que:
- Transam sem camisinha (anal ou vaginal) com parceiros de status desconhecido ou com HIV não indetectável.
- Tiveram IST bacteriana (sífilis, gonorreia, clamídia) nos últimos 6 a 12 meses.
- Usaram PEP mais de uma vez.
- Têm parceiro vivendo com HIV que ainda não está indetectável.
- Usam drogas injetáveis com compartilhamento de material.
- Fazem sexo em contexto de uso de drogas (chemsex).
- Fazem trabalho sexual.
As populações com maior incidência — homens gays e bissexuais, mulheres trans e travestis, profissionais do sexo — são prioridade, mas a indicação é individual.
O critério que realmente importa
Você se percebe em risco? Essa pergunta, nas diretrizes mais recentes, já é indicação suficiente. Não precisa “provar” número de parceiros nem justificar comportamento. Médico que faz interrogatório antes de prescrever está atrasado.
Quem não deve usar PrEP
- Quem já tem HIV — PrEP em pessoa com HIV gera resistência. Por isso o teste antes é obrigatório.
- Quem tem sintomas de infecção aguda por HIV (febre, garganta, ínguas, manchas, após exposição recente): testar de novo antes de começar.
- Quem tem doença renal avançada — a PrEP oral precisa de filtração adequada; a injetável pode ser opção.
- Alergia aos componentes (raríssima).
- Quem não vai conseguir tomar — não é contraindicação, é motivo para escolher a injetável.
Hepatite B não contraindica: a PrEP inclusive trata a hepatite B. Só precisa de atenção ao parar.
PrEP para quem tem parceiro fixo
Casal fechado com os dois negativos e testados: PrEP não é necessária. Casal sorodiferente: se o parceiro com HIV está indetectável há mais de 6 meses, o risco já é zero (I=I) — PrEP é opcional, uma camada extra que alguns casais escolhem. Relação aberta: PrEP faz sentido.
PrEP para mulheres cis e homens hétero
Sim. As mesmas indicações. Mulheres precisam da PrEP diária (a sob demanda não é indicada para sexo vaginal) e de 21 dias para proteção plena.
PrEP para adolescentes
A partir de 15 anos com peso maior que 35 kg, pelo SUS, com atenção a autonomia e sigilo. Tem texto próprio.
Como é comigo
Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Na consulta, não pergunto “quantos” — pergunto “como você quer se proteger”. A partir daí, decidimos juntos se PrEP faz sentido, qual esquema, e o que mais cabe (doxiPEP, vacinas, testagem).
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Perguntas frequentes
Preciso ter tido IST para ganhar PrEP? Não. É uma das indicações, não uma condição.
Sou hétero e uso camisinha sempre. Preciso de PrEP? Provavelmente não. PrEP é para quem tem exposição sem proteção.
Tenho 17 anos. Posso usar? Sim, pelo SUS, a partir de 15 anos e 35 kg.
Sou casado e tenho encontros fora. Posso fazer PrEP sem o parceiro saber? Pode. É sigilo médico. A conversa com o parceiro é sua decisão.
Tenho hepatite B. Posso? Pode, com acompanhamento. Só não pare por conta própria.
Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Página do tema: PrEP. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.


