A PrEP é segura para quase todo mundo — mas “quase” tem nome. Vou listar as situações em que a PrEP oral não deve ser iniciada, as que pedem cuidado, e o que fazer em cada uma.
Contraindicações verdadeiras
1. HIV já presente (mesmo sem saber)
A contraindicação mais importante. PrEP são dois remédios; tratamento de HIV precisa de três. Usar PrEP com HIV gera resistência e tira opções de tratamento no futuro. Por isso:
- Teste de HIV obrigatório antes de começar.
- Se houve exposição de risco nas últimas 4 semanas, ou sintomas de infecção aguda (febre, dor de garganta, ínguas, manchas na pele), repetir o teste antes de iniciar.
2. Função renal comprometida
A PrEP oral (tenofovir) precisa de filtração renal adequada (clearance de creatinina acima de 60 mL/min para o esquema padrão; acima de 30 com a formulação de tenofovir alafenamida, quando disponível). Quem tem doença renal avançada não deve usar a oral — e pode ser candidato à injetável, que não passa pelo rim da mesma forma.
3. Alergia aos componentes
Raríssima. Reação prévia grave ao tenofovir ou à entricitabina.
Situações que pedem cuidado (não contraindicam)
- Hepatite B crônica: a PrEP trata a hepatite B. O cuidado é ao parar — pode haver reativação. Precisa de plano com o infectologista.
- Osteoporose ou fraturas prévias: a PrEP oral reduz um pouco a densidade óssea; avaliar risco, considerar injetável.
- Uso de anti-inflamatórios frequente, diabetes, hipertensão, idade acima de 50: mais atenção ao rim, com creatinina mais frequente.
- Gestação e amamentação: a PrEP é segura; não é contraindicação.
- Adolescentes: a partir de 15 anos e 35 kg, com atenção a sigilo e autonomia.
- Uso de outros remédios: poucas interações relevantes com a PrEP oral; a injetável (cabotegravir) tem interação com rifampicina e alguns anticonvulsivantes.
“Não vou conseguir tomar todo dia” não é contraindicação
É indicação para outro esquema: sob demanda (se o sexo é anal e previsível) ou injetável (se a rotina não comporta comprimido). Ninguém deve ficar sem PrEP por não caber na PrEP diária.
Como se avalia na prática
Uma consulta e alguns exames: teste de HIV, creatinina, sorologias de hepatite B e C, sífilis, e rastreio de ISTs. Com isso, na grande maioria dos casos, a PrEP começa na mesma semana.
Como é comigo
Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Avalio as poucas situações em que a PrEP oral não é a melhor escolha e encontro a alternativa — injetável, ajuste de esquema, plano para hepatite B. O objetivo é ninguém ficar sem prevenção por causa de um detalhe que tem solução.
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Perguntas frequentes
Posso começar PrEP no mesmo dia da consulta? Se o teste de HIV for feito na hora (teste rápido) e não houver sinal de infecção aguda, sim; os outros exames podem vir depois.
Tenho hepatite B. PrEP é proibida? Não. É até benéfica. Só não pare sem orientação.
Tenho um rim só. Posso? Depende da função renal, não do número de rins. O exame decide.
Tomo remédio para pressão. Interfere? Não com a PrEP oral.
Estou com sintomas de gripe depois de uma exposição. Posso começar? Não antes de descartar infecção aguda por HIV com teste adequado.
Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Página do tema: PrEP. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.


