Casal sorodiferente (ou sorodiscordante): uma pessoa vive com HIV, a outra não. Há vinte anos isso era motivo de medo. Hoje é uma das situações mais seguras que atendo — se o casal souber usar as ferramentas.
Primeiro: I = I
Se o seu parceiro está em tratamento e com carga viral indetectável há pelo menos 6 meses, ele não transmite HIV por via sexual. Não é “risco baixo”. É zero. Isso foi demonstrado em milhares de casais, com e sem camisinha.
Ou seja: o tratamento dele já é a sua proteção principal.
Então para que PrEP?
Para as situações em que o I = I não está garantido:
- Ele acabou de começar o tratamento (ainda não está indetectável).
- Ele falha doses ou tem carga viral detectável em algum exame.
- Vocês têm um relacionamento aberto e o risco vem de fora, não dele.
- Vocês querem engravidar e preferem uma camada extra no período de tentativas.
- Você simplesmente dorme melhor tomando — e isso é motivo suficiente.
Nenhuma dessas é obrigação. É escolha informada.
Como começar
- Teste de HIV (4ª geração) negativo, creatinina e hepatite B.
- PrEP oral diária ou injetável a cada 2 meses.
- Retorno em 30 dias e depois a cada 3 meses.
Se o parceiro está indetectável e vocês são fechados, dá para conversar sobre PrEP sob demanda ou até não usar — a decisão é de vocês, com informação.
Cuidar do casal, não só do “negativo”
O que funciona melhor: os dois na consulta, juntos ou não. Quem vive com HIV precisa de acompanhamento e adesão; quem é negativo precisa de teste periódico e, se quiser, PrEP. E os dois precisam de teste de outras ISTs e de vacinas — HIV não é a única coisa que circula.
Como é comigo
Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Atendo casais sorodiferentes há anos — inclusive os dois juntos na mesma consulta, quando querem. Sem drama, sem pena.
Atendimento exclusivamente particular.
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Perguntas frequentes
Meu parceiro é indetectável. Preciso de PrEP? Não precisa. Pode querer — e tudo bem.
Camisinha é obrigatória em casal sorodiferente? Para HIV, com parceiro indetectável, não. Para outras ISTs, depende do acordo de vocês.
Podemos ter filhos? Sim, por via natural, com parceiro indetectável. A PrEP é opcional nesse período.
Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.
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