Herpes genital na gravidez: qual o risco real para o bebê e como proteger

Descobrir herpes genital grávida — ou engravidar já tendo herpes — gera um medo enorme. Vou te dar a informação que muda tudo: o risco para o bebê depende de a infecção ser antiga ou nova. E na maioria dos casos ele é antigo e o risco é pequeno.

Quando o risco é baixo: herpes antigo

Se você já tinha herpes genital antes de engravidar (infecção recorrente), o seu corpo tem anticorpos, e eles passam para o bebê pela placenta. O risco de herpes neonatal numa gestante com herpes recorrente e sem lesão no parto é menor que 1%. Com supressão e avaliação no dia do parto, cai ainda mais.

Quando o risco é alto: herpes novo no fim da gestação

O cenário perigoso é a primeira infecção (primoinfecção) no terceiro trimestre, principalente nas últimas 6 semanas. A mãe ainda não formou anticorpos, o vírus está em grande quantidade e o bebê pode se infectar no parto. Nesse caso o risco pode chegar a 30–50% se houver lesão no parto vaginal — por isso a cesárea é indicada.

Como a maioria das mulheres não sabe se tem herpes, é aqui que a sorologia do casal ajuda: se a gestante é negativa e o parceiro tem herpes, a prevenção durante a gestação vira prioridade.

O que é herpes neonatal

Uma infecção grave do recém-nascido, que pode afetar pele, olhos, boca, sistema nervoso ou órgãos. Rara (poucos casos por 100 mil nascimentos), mas séria — por isso todo o cuidado. Quase sempre vem do contato com o vírus no canal de parto, não pela placenta.

O que se faz na prática

  1. Contar ao obstetra que tem herpes genital (ou que o parceiro tem). Isso entra no plano de parto.
  2. Supressão a partir de 36 semanas com aciclovir ou valaciclovir, para quem tem histórico de herpes genital. Reduz crises e eliminação viral no parto. É seguro na gestação.
  3. Exame no dia do parto: se há lesão ou pródromo, cesárea. Se não há, parto normal é possível.
  4. Gestante negativa com parceiro positivo: camisinha durante toda a gestação, sem sexo oral se o parceiro tem herpes labial, e supressão para o parceiro. Evitar a primoinfecção é o objetivo.
  5. Primeira crise na gestação: tratar com antiviral (seguro), avaliar o momento, e o obstetra define a conduta do parto.

E depois do parto

Amamentar pode, desde que não haja lesão na mama. Lesão labial ativa: máscara e não beijar o bebê até cicatrizar. Herpes labial da mãe ou de visitas é uma causa importante de herpes neonatal — vale avisar a família.

Como é comigo

Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Atendo gestantes com herpes e casais em que um dos dois tem o vírus, em parceria com o obstetra: sorologia do casal, supressão no momento certo, orientação para o parto e para o pós-parto. O objetivo é tirar o medo do lugar errado e colocar a prevenção no certo.

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Perguntas frequentes

Tenho herpes há anos. Meu bebê corre risco? Risco muito baixo, principalmente com supressão a partir de 36 semanas e avaliação no dia do parto.

Herpes passa pela placenta? Raramente. A transmissão é quase sempre no canal de parto.

Aciclovir na gravidez é seguro? Sim. É usado há décadas, com boa segurança.

Se meu parceiro tem herpes e eu não, posso transar na gravidez? Pode, com camisinha e supressão para ele. O que se quer evitar é a primeira infecção no fim da gestação.

Terei que fazer cesárea? Só se houver lesão ou sintoma de crise no dia do parto. Isso tem texto próprio.

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Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Página do tema: Herpes genital. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.