Muita gente começa a PrEP pensando “por um tempo” e três, cinco anos depois ainda está usando — e se pergunta se isso é seguro. A resposta curta: sim, é seguro usar PrEP por anos, com acompanhamento. Vou te mostrar o que se sabe e o que vale vigiar.
O que os dados de uso longo mostram
A PrEP oral (tenofovir + entricitabina) é estudada desde 2010 e usada em larga escala desde 2012. Há pessoas com mais de 10 anos de uso contínuo. Os achados:
- Rim: pequena queda na filtração em alguns usuários, quase sempre leve e reversível ao parar. Problema clínico é raro. Monitorado com creatinina.
- Osso: perda pequena de densidade óssea nos primeiros meses (1–2%), que estabiliza e se recupera ao interromper. Sem aumento relevante de fraturas em pessoas saudáveis.
- Fígado: sem toxicidade relevante. Atenção especial só para quem tem hepatite B (a PrEP trata a hepatite B; parar pode causar reativação).
- Resistência: só ocorre se a pessoa pegar HIV usando PrEP de forma irregular. Com testagem a cada 3 meses, o risco é muito baixo.
O que monitorar no uso prolongado
- Creatinina a cada 6 a 12 meses (mais frequente se houver fator de risco: idade acima de 50, diabetes, hipertensão, uso de anti-inflamatório frequente).
- Teste de HIV a cada 3 meses, sempre.
- ISTs a cada 3 meses: sífilis, clamídia e gonorreia em urina, garganta e ânus.
- Hepatite B e C conforme vacinação e exposição.
- Densidade óssea só se houver fator de risco (fraturas prévias, uso de corticoide, baixo peso).
Quando vale reavaliar
Não é porque é seguro que precisa ser para sempre. Vale sentar e repensar quando:
- Sua vida sexual mudou (relacionamento fechado, parceiro indetectável, longo período sem exposição).
- Você quer trocar de esquema (para injetável, para sob demanda).
- Surgiu algum problema de rim ou osso.
- Você simplesmente quer parar — é legítimo.
Parar é fácil e seguro, com orientação: 2 dias após a última exposição anal, 7 dias após vaginal, e um teste de HIV. Voltar também é fácil.
E a PrEP injetável no uso longo?
O cabotegravir tem menos anos de dados, mas até agora sem sinais de toxicidade renal ou óssea. A questão específica é a “cauda”: ao parar, o remédio fica em níveis baixos por meses, e se a pessoa se infectar nesse período, pode haver resistência. Por isso a transição para oral (ou a decisão de parar) precisa ser planejada.
Como é comigo
Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Acompanho pessoas em PrEP há anos: monto o calendário de exames para que não seja excessivo nem insuficiente, aviso quando algo merece atenção e, uma vez por ano, faço a pergunta honesta — “ainda faz sentido?” — sem empurrar para nenhum lado.
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Perguntas frequentes
Existe tempo máximo de uso de PrEP? Não. Enquanto houver indicação e o acompanhamento estiver em dia.
PrEP causa insuficiência renal? Muito raramente, e quase sempre reversível. O exame a cada 6–12 meses detecta cedo.
Preciso de “pausa” na PrEP para o corpo descansar? Não. Pausa sem motivo só tira a proteção.
Posso usar PrEP depois dos 50, 60 anos? Pode, com atenção maior ao rim.
PrEP diminui a imunidade? Não. Não age no sistema imune.
Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Página do tema: PrEP. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.


