A pergunta que toda gestante com herpes faz: “vou ter que fazer cesárea?” A resposta curta: na maioria dos casos, não. A via de parto é definida por uma coisa só — se há lesão ou sinal de crise no dia. Vou explicar como funciona a decisão.
A regra
- Sem lesão e sem pródromo no dia do parto → parto normal é seguro. O risco de transmissão numa gestante com herpes antigo, sem lesão, é menor que 1%.
- Com lesão ativa ou com pródromo (formigamento, ardência) no dia → cesárea. A cesárea, feita antes ou logo depois da bolsa romper, reduz muito a exposição do bebê.
Não é o histórico de herpes que indica cesárea. É a presença de vírus ativo no canal de parto naquele momento.
Supressão a partir de 36 semanas
Para reduzir a chance de ter lesão justamente no dia, a recomendação é aciclovir ou valaciclovir todos os dias a partir de 36 semanas até o parto, para toda gestante com histórico de herpes genital. Isso:
- reduz as crises no fim da gestação;
- reduz a eliminação assintomática do vírus;
- reduz a taxa de cesárea por herpes.
É seguro. Não aumenta risco para o bebê.
O exame no dia do parto
Ao dar entrada, a equipe examina a vulva, a vagina e o colo do útero procurando lesão. Pergunta sobre sintomas de pródromo. Se tudo limpo, parto normal segue. Se houver dúvida, o obstetra decide — e vale ter esse combinado feito antes, no pré-natal.
Situações especiais
- Primeira infecção no terceiro trimestre: aqui a cesárea é indicada com mais liberalidade, mesmo com supressão, porque o risco é muito maior (a mãe ainda não tem anticorpos).
- Bolsa rota há muitas horas com lesão ativa: o benefício da cesárea diminui com o tempo; o obstetra avalia.
- Lesão em nádega ou coxa, longe do canal: pode-se cobrir a lesão e seguir com parto normal, a critério da equipe.
- Herpes labial: não muda a via de parto. Muda o cuidado depois: máscara e sem beijo no bebê enquanto houver lesão.
E o bebê?
Nos casos de parto normal sem lesão, o bebê é observado normalmente. Se houve exposição (lesão no parto vaginal), o pediatra pode colher exames e, em situações de risco alto, iniciar aciclovir preventivo. Isso é decidido caso a caso.
Como é comigo
Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Trabalho junto com o obstetra da gestante: defino a supressão, oriento sobre sinais de crise, e deixo por escrito o plano para o dia do parto. Gestante com herpes bem orientada tem parto normal como qualquer outra — e o medo sai do caminho.
Atendimento exclusivamente particular.
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Perguntas frequentes
Ter herpes genital obriga a cesárea? Não. Só a lesão ou o pródromo no dia do parto.
Quando começar o antiviral na gestação? A partir de 36 semanas, todos os dias, até o parto.
E se eu tiver uma crise com 30 semanas? Trata a crise com antiviral, e depois entra a supressão a partir de 36 semanas. Não muda a via de parto se estiver sem lesão no dia.
Posso amamentar? Sim, desde que não haja lesão na mama.
Meu parceiro tem herpes e eu não sei se tenho. O que fazer? Sorologia dos dois no pré-natal. Se você for negativa, o objetivo é não se infectar até o parto.
Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Página do tema: Herpes genital. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.


