Quando penso em saúde sexual, um dos principais tópicos que sempre surge nas conversas e atendimentos é o uso do preservativo. Apesar de simples, muitos ainda têm dúvidas sobre como usar camisinha corretamente, seja a masculina ou a feminina, quais os tipos disponíveis, e até mesmo sobre os mitos que cercam essa proteção. Hoje, quero trazer um guia prático, sem tabus, baseado no que vejo diariamente e nas recomendações atuais de saúde.
Por que o uso da camisinha ainda é tão necessário?
Já presenciei perguntas como “Hoje em dia ainda precisa?” ou “Será que não diminui o prazer?” Mas a resposta para a necessidade do uso é um grande sim.
As camisinhas (masculinas e femininas) são as únicas formas de proteção dupla: elas evitam tanto infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) quanto gravidez não planejada. Dados da Organização Mundial da Saúde apontam que, quando utilizadas corretamente, as camisinhas masculinas chegam a uma eficácia de 98% na prevenção da gravidez, enquanto as femininas alcançam 95%. Não existe método 100% seguro fora da abstinência total, mas a camisinha chega perto!
Proteção e liberdade caminham juntas.
No entanto, o que acontece na prática?
De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde de 2019, cerca de 59% dos brasileiros adultos não usaram preservativo em nenhuma relação sexual nos 12 meses anteriores à pesquisa. E um estudo em São Leopoldo mostrou que apenas 29,1% das mulheres sexualmente ativas relataram uso em relações sexuais (dados do estudo populacional). Esses números mostram que precisamos falar mais sobre o assunto, com naturalidade e sem julgamentos.
Como funciona a camisinha masculina (externa)?
Eu gosto de explicar de forma simples: a camisinha masculina é aquela que envolve o pênis ereto antes do contato íntimo, criando uma barreira física que impede a troca de fluidos corporais. Segundo a OMS, a eficácia depende do uso desde o início até o final da relação, sem falhas ou interrupções.
Passo a passo para usar a camisinha masculina
- Verifique a data de validade: Sempre olho para a embalagem antes de abrir. Se estiver fora da validade ou com a embalagem danificada, descarte.
- Abra com cuidado: Nunca use dentes ou objetos cortantes. Rasgar pode causar microfurinhos e comprometer a proteção.
- Coloque antes do início do contato: Não vale tentar “depois de começar”, pois o líquido pré-ejaculatório já pode conter vírus ou espermatozoide.
- Segure a ponta: Deixe um espaço sem ar na ponta, pressionando suavemente para o ar não ficar acumulado.
- Desenrole até a base: Faça isso com o pênis ereto, enrolando até o final.
- Pronto para a relação.
- Retire logo após a ejaculação: Antes de perder a ereção, segure a base e puxe com cuidado.
- Descarte no lixo, nunca no vaso sanitário.
Esse é o básico, mas sempre dou esse passo a passo porque, na prática, muita gente pula etapas ou acaba colocando da forma errada.

Erros comuns do uso da camisinha masculina
- Usar duas camisinhas ao mesmo tempo (dupla masculina ou masculina e feminina): O atrito aumenta o risco de rasgar ambas.
- Colocar só depois de começar a penetração: O risco de transmissão ou gravidez já existe com o contato inicial.
- Retirar só após a perda da ereção: Assim a camisinha pode escapar e liberar secreções.
- Guardar na carteira ou no bolso por muito tempo: O calor e o atrito danificam o material.
- Usar lubrificante à base de óleo com camisinha de látex: Produtos como vaselina ou óleos podem romper o látex.
Camisinha feminina (interna): para quem e como usar?
Toda vez que alguém me pergunta sobre como usar camisinha corretamente e os tipos disponíveis, noto que há muita dúvida (e até preconceito) sobre a camisinha feminina. Ela não é apenas “para mulheres”. Pode ser utilizada por qualquer pessoa com vagina e também é indicada para sexo anal, garantindo proteção semelhante à masculina.
Do que é feita e como é?
Ela é um tubo flexível, com dois anéis: um fechado na ponta (que fica dentro da vagina) e outro aberto na extremidade externa. Sua composição geralmente é poliuretano ou nitrilo, materiais resistentes e alternativas importantes para quem tem alergia ao látex. Além disso, ela é mais resistente a rasgos e não é afetada pelo uso de lubrificantes à base de óleo.
A camisinha interna é liberdade no autocuidado.

Passo a passo para colocar a camisinha feminina (interna)
- Verifique a validade e integridade da embalagem.
- Abra cuidadosamente.
- Aperte o anel fechado e insira na vagina, empurrando até o fundo.
- O anel externo deve cobrir a entrada da vagina.
- Durante a penetração, o pênis (ou objeto) deve entrar dentro do tubo de poliuretano, garantindo 100% de barreira.
- Retire com delicadeza, torcendo levemente o anel externo para fechar a abertura e evitando vazamentos de fluidos, sempre jogando no lixo após o uso.
Uso para sexo anal: é possível?
Sim! Eu já vi várias pessoas com dúvidas, mas a camisinha feminina pode ser adaptada para o sexo anal. Basta remover o anel interno e inserir o cilindro na abertura anal. Ao finalizar, deve ser retirada como no uso vaginal, sempre com cuidado para evitar vazamentos.
Diferenças entre camisinha masculina e feminina
Muita gente me pergunta qual seria melhor ou “mais confortável”. Não existe uma resposta única. Cada pessoa possui preferências, tipos de corpo e realidades. Aqui vou resumir as principais diferenças que costumo explicar:
- Aplicação: A masculina envolve o pênis ereto. A feminina é inserida na vagina (ou no ânus, sem o anel interno).
- Composição: A masculina padrão é de látex; a feminina costuma ser de poliuretano ou nitrilo.
- Proteção: Ambas barram ISTs e gravidez (em relações heterossexuais). Para sexo anal, ambas servem, com adaptações.
- Sensação: Depende do gosto! Algumas pessoas relatam mais conforto com a feminina, outras preferem a masculina. Não dá para saber sem testar.
Seja qual for sua escolha, o mais valioso é usar desde o início até o fim da relação sexual.

Mitos sobre camisinha: prazer, desconforto e preconceitos
No consultório ou em conversas informais, me deparo muito com frases como “Tira a sensibilidade”, “Atrapalha o momento”, ou “É coisa de gente desconfiada”. Minha experiência e a literatura médica mostram outra coisa.
- Camisinha não reduz obrigatoriamente o prazer. As novas gerações de preservativos têm espessuras finas, texturas diferentes e lubrificantes que podem até aumentar a sensação sexual.
- Se incomoda, existe a chance de ser alergia ao látex, não à camisinha em si. E aí, há alternativas como as de poliuretano.
- A responsabilidade pelo uso é dos dois no ato sexual; ambos devem conversar e se sentir seguros.
Quem usa camisinha está cuidando de si e de quem gosta.
Falando de prazer, há modelos ajustados aos diferentes tamanhos e circunferências, bem como tipos com diferentes estímulos, sabores e odores. Isso pode, sim, tornar o uso até divertido e parte do ritual.
Tamanhos e modelos disponíveis no Brasil
Você já se sentiu desconfortável com o tamanho do preservativo padrão? Não está sozinho. No Brasil, tradicionalmente encontramos preservativos masculinos com largura nominal de 52 mm, mas atualmente há opções menores (49 mm) e maiores (até 56 mm), voltadas para diferentes biotipos.
Já as camisinhas femininas possuem tamanho único (“único” apenas porque se moldam ao canal vaginal/anal, o que geralmente funciona para todos os corpos adultos). Caso sinta dificuldade com a adaptação, recomendo conversar com um profissional de saúde ou experimentar outras marcas/modelos disponíveis.
Sobre sabores, espessuras e texturas, há opções variadas: finas, grossas, com sabor, aromatizadas, com textura, retardantes, e até opções veganas (sem produtos de origem animal).
O que importa é encontrar o modelo que se encaixe no seu corpo e estilo de vida.
Erros que vejo com frequência e como evitar
Baseando em perguntas que já chegaram até mim ou em relatos reais do dia a dia, há alguns erros frequentes ao usar preservativos que podem comprometer a proteção:
- Usar duas camisinhas ao mesmo tempo – seja masculina com feminina ou duas masculinas. O atrito aumenta muito a chance de rasgar! Um só é suficiente e mais seguro.
- Usar lubrificantes errados – lubrificantes com base oleosa têm potencial de destruir o látex rapidamente. Prefira os lubrificantes à base de água ou silicone.
- Fio dental ou tesoura para abrir a embalagem – pode furar o preservativo logo no início.
- Guardar em local inadequado (sol, calor, pressão) – carteiras, caixas de porta-luvas e bolsos não são bons lugares por tempo prolongado.
- Reaproveitar a camisinha – não é reutilizável e perderá proteção, além de risco de ISTs e gravidez.
Outro ponto importante é a prevenção e o diagnóstico precoce das infecções sexualmente transmissíveis. O uso correto do preservativo reduz drasticamente esse risco, mas mesmo quem se protege precisa cuidar da saúde regularmente.
Alternativas para quem tem alergia ao látex
Uma dúvida comum e presente em muitos bate-papos: “E se eu for alérgico(a) ao látex?” Não é preciso abrir mão do preservativo. Camisinhas de poliuretano e nitrilo são alternativas seguras e hipoalergênicas. E mais: esses materiais podem ser usados com qualquer tipo de lubrificante (inclusive os à base de óleo), pois não se degradam.
Na dúvida, recomendo experimentar marcas diferentes e, se persistirem sintomas, buscar um atendimento médico para orientações e avaliação de possíveis outras alergias associadas.
Onde encontrar e como conseguir camisinha de qualidade?
Muita gente não sabe, mas o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece preservativos gratuitos em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA), respeitando o direito à saúde sexual para todas as pessoas, sem exigir documentação e com total anonimato (fonte).
Se quiser comprar, é importante observar se a embalagem tem o selo do INMETRO e, ao adquirir em farmácias ou supermercados, nunca compre embalagens danificadas ou próximo do vencimento.
Reforço sempre também a importância de se informar e cuidar da saúde sexual com atendimento especializado. Para quem busca compreender mais sobre infecções sexualmente transmissíveis, sinais e diagnóstico, recomendo acessar conteúdos educativos como essa explicação sobre ISTs ou os serviços específicos de IST.
Como falar sobre camisinha sem tabu?
Na minha experiência, vejo que abordagens abertas e sem preconceito fazem diferença, especialmente com adolescentes e jovens adultos. Trazer o tema sem medo é a melhor forma de diminuir o estigma e aumentar o uso entre parceiros.
- Converse antes do sexo e defina juntos os métodos de proteção que mais se encaixam nas expectativas dos dois.
- Inclua o preservativo como parte do momento. Muitas vezes, incluir brincadeiras ou técnicas diferentes com lubrificantes podem deixar o uso mais prazeroso.
- Respeite sempre: Se um dos dois quiser usar, o outro deve aceitar sem pressão nem resistência.
- Lembre que o autoconhecimento é fundamental. Testar diferentes opções pode resultar em descobertas positivas e uma vida sexual saudável.
A comunicação é tão importante quanto a proteção.
E não esqueça: além da camisinha, há métodos como a profilaxia pré-exposição (PrEP) indicados em casos específicos para prevenção de HIV, que complementam a proteção.
Caso tenha dúvidas sobre HIV, atualizações em prevenção e diagnóstico, recomendo estudar conteúdos como atualizações sobre HIV.
Conclusão
Depois de tantos anos ouvindo e respondendo dúvidas, vejo que saber como usar camisinha adequadamente, tanto a masculina quanto a feminina, faz toda a diferença na saúde e bem-estar sexual. As proteções estão disponíveis, os modelos são variados, e o que mais importa é se conhecer, conversar e praticar o autocuidado sem vergonha.
No fim das contas, o melhor caminho é sempre optar por segurança, respeito e liberdade. E se surgir qualquer dúvida, não hesite em procurar atendimento especializado ou estudar mais sobre o tema.
Perguntas frequentes
Como usar camisinha corretamente passo a passo?
Para usar camisinha masculina: 1. Verifique validade e integridade da embalagem. 2. Abra sem rasgar. 3. Coloque antes de qualquer contato. 4. Aperte a ponta para não ter ar. 5. Desenrole até a base. 6. Retire logo após a ejaculação, segurando a base. 7. Descarte no lixo. Para camisinha feminina: 1. Confira validade; 2. Abra com cuidado; 3. Aperte o anel interno e insira até o fundo da vagina (ou no ânus, removendo o anel interno); 4. O anel externo fica do lado de fora; 5. Após a relação, retire torcendo levemente para não vazar e descarte no lixo.
Quais os tipos de camisinha disponíveis?
Camisinha masculina (externa) – geralmente de látex, mas pode ser de poliuretano para quem tem alergia. Camisinha feminina (interna) – feita de poliuretano ou nitrilo, indicada para sexo vaginal ou anal. Há ainda modelos com diferentes tamanhos, espessuras, sabores, texturas e lubrificantes. O ideal é testar para saber qual se adapta melhor ao seu corpo e ao seu gosto.
Como colocar camisinha feminina corretamente?
Com as mãos limpas, aperte o anel interno da camisinha feminina e insira até o fundo da vagina, deixando o anel externo cobrindo a vulva. Certifique-se de que não ficou torcida e que o pênis (ou objeto) irá penetrar dentro do tubo, não entre a camisinha e a parede vaginal. Para sexo anal, retire o anel interno antes de inserir.
Qual a diferença entre camisinha masculina e feminina?
A camisinha masculina é usada no pênis ereto antes da penetração e protege contra ISTs e gravidez. A feminina é inserida na vagina (ou ânus) e encaixa nos dois anéis, protegendo também contra ISTs e gravidez. Além disso, a feminina costuma ser feita de materiais alternativos ao látex, sendo útil para quem tem alergia e pode ser usada com qualquer lubrificante.
Onde comprar camisinhas de diferentes tipos?
No Brasil, camisinhas estão disponíveis em farmácias, supermercados e algumas lojas especializadas, além da distribuição gratuita pelo SUS em UBS e CTA, sem burocracia. Sempre escolha opções com selo do INMETRO para garantir proteção. Se for adquirir modelos diferenciados, pode procurar por marcas reconhecidas e experimentar até encontrar o que mais se adapta ao seu perfil e necessidade.


