Qual exame detecta herpes genital? PCR, cultura, sorologia e quando fazer cada um

“Fiz exame de herpes e deu positivo” é uma frase que quase nunca significa o que a pessoa acha. Herpes tem vários exames, cada um responde a uma pergunta diferente, e pedir o errado gera angústia sem diagnóstico. Vou te mostrar qual exame serve para quê.

Os exames, do melhor para o pior

1. PCR da lesão — o padrão-ouro

Um swab (cotonete) esfregado na bolha ou na ferida, enviado para detecção do DNA do vírus. Diz se é herpes e qual tipo (HSV-1 ou HSV-2). Sensibilidade alta, resultado em 1 a 3 dias. Só tem um limite: precisa de lesão ativa. Quanto mais nova a lesão (bolha ou ferida recente), melhor; depois que forma crosta, a chance de detectar cai.

Quando fazer: em qualquer suspeita com lesão presente. Ideal na primeira crise.

2. Sorologia tipo-específica (IgG para HSV-1 e IgG para HSV-2)

Exame de sangue que detecta anticorpos. Não diz se você está em crise; diz se você já teve contato com cada vírus. Serve para: pessoa sem lesão que quer saber se tem o vírus; parceiro de quem tem herpes; investigar uma história de lesões que nunca foram testadas.

Limitações importantes:

  • O anticorpo leva de 3 semanas a 3 meses para aparecer. Sorologia logo depois de uma primeira crise pode dar negativo.
  • IgG para HSV-1 não diz onde está o vírus — a maioria dos adultos é positiva pelo herpes labial.
  • IgG para HSV-2 em valores baixos pode ser falso-positivo. Valores limítrofes precisam de confirmação ou de repetição.
  • Precisa ser o exame tipo-específico (baseado na glicoproteína G). Sorologias antigas “para herpes” sem separar o tipo não servem para nada.

3. Cultura viral

Era o padrão antes do PCR. Menos sensível, mais lenta, praticamente substituída. Se o seu laboratório só oferece cultura, vale procurar outro.

4. IgM para herpes — o exame que mais confunde

O IgM é o anticorpo “da fase aguda” em muitas infecções, mas no herpes ele não funciona assim: aparece em reativações, não distingue tipo, dá falso-positivo com frequência e não diferencia infecção nova de antiga. Pedir IgM para herpes é a fonte número um de laudos mal interpretados. Eu não peço.

5. Citologia (Tzanck)

Raspado da lesão visto no microscópio. Rápido, mas pouco sensível e não diz o tipo. Uso histórico.

Na prática, o que eu peço

  • Tem lesão agora? PCR da lesão. Diz tudo o que preciso.
  • Não tem lesão, mas já teve algo suspeito? IgG tipo-específico para HSV-1 e HSV-2, com interpretação.
  • Parceiro de alguém com herpes? IgG tipo-específico dos dois.
  • Check-up de IST sem sintoma nenhum? Não peço sorologia de herpes de rotina — o resultado costuma gerar mais ansiedade do que decisão, já que metade da população é positiva para HSV-1. Peço quando há uma pergunta clínica clara.

E o “exame de sangue deu positivo para herpes”

Se foi IgG para HSV-1: você está no grupo de dois terços dos adultos; provavelmente herpes labial na infância. Não significa herpes genital. Se foi IgG para HSV-2 alto: você tem o vírus, provavelmente genital, mesmo que nunca tenha tido crise. Se foi IgG para HSV-2 baixo/limítrofe: pode ser falso-positivo; precisa confirmar. Se foi IgM: não significa nada sozinho.

Como é comigo

Sou infectologista em São Paulo (Itaim Bibi), com telemedicina para todo o Brasil. Interpretar exame de herpes é uma das coisas mais frequentes do meu consultório — muita gente chega com um laudo que a assustou e sai entendendo que aquilo não dizia o que parecia. Peço o exame certo para a pergunta certa, e explico o resultado sem deixar ponta solta.

Atendimento exclusivamente particular.

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Perguntas frequentes

O exame de herpes pode dar falso negativo? O PCR pode, se a lesão já estiver cicatrizando. A sorologia pode, se for feita nas primeiras semanas após a infecção.

Quanto tempo depois do contato posso fazer sorologia? Idealmente 12 semanas depois, para o IgG ter tempo de aparecer.

Exame de urina detecta herpes? Só se houver herpes na uretra e o PCR for feito na urina ou no swab uretral. Não é rastreio.

Preciso repetir o exame? IgG para HSV-2 limítrofe, sim. PCR positivo, não.

O exame diz há quanto tempo tenho herpes? Não com precisão. Só diferencia infecção recente (IgG ainda negativo) de antiga.

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Sobre o autor
Dr. Klinger Faico — Infectologista. CRM-SP 203431 · RQE 104115. Professor Adjunto da UNIFESP/Escola Paulista de Medicina. Título de especialista em Infectologia Hospitalar pela SBI. Página do tema: Herpes genital. Consultório: Rua Joaquim Floriano, 820 – Itaim Bibi, São Paulo. Telemedicina para todo o Brasil.